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Entre maiores economias, Brasil tem pior transporte

23/12/2010

A infraestrutura de transporte brasileira é a pior entre dez das maiores economias globais (como China, Alemanha e Rússia), sendo superada até mesmo pela da Índia, que é considerada parâmetro negativo para o setor.

Segundo levantamento da consultoria Economist Intelligence Unit, faltam investimentos nas malhas rodoviária e ferroviária, são raras as estradas asfaltadas que atendem os padrões de excelência, e problemas de congestionamento são "célebres".

"À medida que a economia brasileira continua a se expandir, é provável que a infraestrutura sofrerá com crescente fadiga", destaca.

Para Robert Wood, analista sênior da Economist Intelligence Unit, a malha brasileira corre o risco de "apagão" nos próximos anos, especialmente com a realização da Copa, em 2014, e da Olimpíada, dois anos depois.

Ele diz que a preocupação é que o país repita nos dois eventos o que ocorreu com a Índia nos Jogos da Comunidade Britânica (Commonwealth), realizados há dois meses e cuja organização foi muito criticada.

Afirma, por exemplo, que o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, parece um aeroporto dos anos 1960 ou 1970. Os problemas do aeroporto foram abordados na semana passada pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), em evento em Nova York. "Onde estamos engasgando é em aeroporto, e já para a Copa do Mundo."

"Se for feita concessão, resolve rápido; se mantiver no ritmo Infraero, será um desastre", afirmou Cabral.

Outros pontos criticados por Wood são a falta de integração nacional, ligando os principais polos econômicos do país, e a quantidade pequena de trens para um país do tamanho do Brasil, em que "a rede viária faz o que deveria fazer a ferroviária".

Visão estratégica - Na visão do analista da Economist Intelligence Unit, falta estratégia de longo prazo para os investimentos. Para ele, as obras andam muito devagar, há muitos entraves burocráticos e os gastos públicos (em proporção do PIB) são muito baixos e sofrem com a corrupção.

"O Brasil não tem a agilidade que tem a China", afirmou Wood, ressaltando o fato de o país asiático não ser uma democracia, mas não deixando de lado os problemas de gestão brasileiros.

Segundo ele, o presidente Lula gosta de falar sobre a "herança maldita" que recebeu de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), mas que é possível afirmar que o atual mandatário vai entregar também uma herança maldita para sua sucessora, Dilma Rousseff, em termos de investimento público em infraestrutura.

Wood critica ainda os planos do governo de construção do trem-bala ligando o Rio a São Paulo. Para ele, a obra (cujo leilão foi adiado para abril do ano que vem) é uma "estratégia de prestígio", e não um investimento de longo prazo.

Fonte: Folha de S.Paulo

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