OrigemNews

ÁreaRestrita



Auditorias


NewsLetter

Roubo de cargas cresce 18% no Paraná

06/09/2016

Um problema crônico e colocado em segundo plano por parte das autoridades estaduais e federais no que toca a segurança pública. Essas são as duas características que definem a realidade do transporte rodoviário de cargas no Brasil e que, no Paraná, teve um crescimento de 18% em 2015, contra 10% da média nacional, de acordo com dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas & Logística (NTC & Logística) e empresas especializadas em gerenciamento de risco, seguradoras e corretoras. O sinal mais claro da fragilidade com que é tratada a questão no Paraná é a maneira como são organizados os dados sobre furtos e roubos relacionados às cargas transportadas por caminhões. Simplesmente não existe.

No relatório elaborado pelo analista Vladimir Luís de Oliveira exclusivamente para a FOLHA, a partir dos dados armazenados pela Coordenadoria de Análise e Planejamento Estratégico da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp-PR), o órgão admite não ser possível precisar no registro de furtos e roubos de caminhões, se tais veículos tinham carga, o tipo do material transportado, tão pouco se elas foram de fato roubadas ou não. As estatísticas se limitam a distinguir roubo de furto e divide os veículos em quatro tipos: caminhão, caminhão-trator, reboque e semirreboque. Tal relatório, informa que, em 2015, 644 veículos desses modelos foram furtados e 568 roubados (com violência), em trechos que cruzam 312 municípios paranaenses.

Uma autoridade relacionada à segurança pública, que não quis se identificar, em entrevista à FOLHA reconheceu falhas sumárias da polícia, desde o momento do preenchimento do boletim de ocorrência e o consequente favorecimento à ação das quadrilhas de roubo de cargas, que veem um ambiente livre para atuar. "Nossa inoperância é tamanha, que nem contamos com registros corretos. Muitos desvios nem viram inquérito dada a fragilidade desses dados", reconhece.

Em números absolutos, o acompanhamento da NTC&Logística apontou que, no Brasil, foram 17,5 mil ocorrências em 2014 contra 19.250 em 2015, com um prejuízo recorde em valores de R$ 1,12 bilhão só nesse último ano. Embora seja nas estradas da região Sudeste a maior concentração de ocorrências, com 85,76%, dos quais São Paulo responde por 44,11% e o Rio de Janeiro por 37,54% dos casos em 2015, a piora no Paraná gerou mais de R$ 60 milhões em prejuízo para as empresas de transporte de carga no último ano. "Os investimentos em melhoria na segurança das estradas do Sudeste, fizeram com que as quadrilhas descessem para as rodovias paranaenses que já respondem por quase 3% das ocorrências", aponta o presidente da Federação das Transportadoras de Cargas do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli. "Em nosso Estado, historicamente, são registrados em torno de 500 roubos de cargas por ano. Estamos reféns da ausência de um trabalho consistente por parte da polícia que, torcemos, venha a ser melhor estruturado com o funcionamento da Delegacia de Furtos e Roubos de Carga do Paraná", acrescenta o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Gilberto Cantú.

DELEGACIA

Ambas entidades são uníssonas em reconhecer que a falta de dados sobre essas ocorrências é um dos fatores que contribuem para a falta de estratégias efetivas para a desarticulação de quadrilhas e a coibição desse tipo de ação. "Não existem dados atualizados no Paraná, nossa expectativa é que com a Delegacia de Furtos e Roubos de Carga do Paraná, criada apenas em janeiro deste ano depois de muita luta das entidades relacionadas ao transporte de cargas, isso possa mudar no futuro", avalia Malucelli.

Em sete meses, a delegacia trocou três vezes de delegado. "Com a delegacia especializada a expectativa é de mudar a realidade, até porque a sociedade toda paga pelo custo desse desvio", observa o atual delegado da Furtos e Roubos de Carga do Paraná, Marcelo Lemos de Oliveira. "Em 40 dias de trabalho, estamos registrando uma média de cinco a sete casos por dia que ocorrem somente em Curitiba e região. Esse registro deverá ajudar no desenvolvimento de ações e nas investigações, mas é um caminho longo, que envolve uma série de mudanças nos procedimentos", afirma Oliveira.

Fonte: Magaléa Mazziotti/Folha de Londrina

 Certificações