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Crime na RMC migra para bancos e carro-forte

13/11/2014

Uma série de roubos a bancos e assaltos a carros-fortes preocupa a polícia na região. Desde setembro foram ao menos oito assaltos a agências e três ataques a carros que transportam valores em rodovias. Em todos os casos, os bandidos usavam armamentos pesados e agiram com violência.
 
Em um deles, na Rodovia Campinas-Mogi, um policial rodoviário foi morto. Entre os assaltos a banco, três dos casos foram explosões de caixas eletrônicos.

A polícia apura uma migração de criminosos de roubo de cargas para esse tipo de ataque.
 
O Correio Popular, do Grupo RAC, apurou que, entre os policiais, o número de ataques também é atribuído ao aumento de apreensões de drogas, o que fez com que traficantes perdessem dinheiro e procurassem uma alternativa de “repor” o caixa.

Em Campinas, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) está à frente da apuração da maior parte dos crimes.
 
Testemunhas e vítimas já foram ouvidas e imagens de circuitos de segurança das agências atacadas estão servindo para ajudar a identificar os criminosos. Uma das principais linhas de investigação é a da migração do roubo de cargas para bancos.

No ano passado, o número de casos de assaltos a caminhões cresceu de forma expressiva na região, que se tornou a líder nas estatísticas.
 
Com base nesses dados, a polícia intensificou, por determinação direta do Palácio dos Bandeirantes, as investigações e fiscalizações nas rodovias, obtendo uma redução de 33% nos casos nos primeiros nove meses de 2014.
 
Algumas quadrilhas foram desarticuladas e parte dos criminosos teria passado a atuar no “ramo” de roubo de grandes valores.

Há ainda um outro fator apontado pela polícia: quando roubam uma carga, os bandidos têm também o trabalho de revender os produtos obtidos. Já nos bancos, o dinheiro já está na mão.
 
Segundo especialistas em segurança, a facilidade da ação e a falta de segurança preventiva nas ruas acabam incentivando a ação dos marginais, que na maioria dos casos atacam em plena luz do dia.

“Se está acontecendo esse tipo de crime é porque os bandidos estão encontrando facilidade para agir”, afirmou José Vicente da Silva Filho, especialista em segurança pública.
 
“Os criminosos estão atrás de dinheiro. Roubo de carga é mais complicado porque tem que encontrar comprador para os produtos o que demora, além de que é possível rastrear a carga. Agora bancos e carros-fortes são fontes de dinheiro vivo e depois do ataque não há complicação. Se acertarem a fórmula vão continuar.”

Ele acredita que há interesse de grupos criminosos de outras regiões em Campinas.
 
“Além da cidade ser grande, a circulação de pessoas e de dinheiro também é, e ainda tem a facilidade das estradas darem acesso a diversos pontos. A ousadia de atacar de dia e em pontos populosos só mostra que eles vão continuar fazendo isso. As polícias devem cada uma cumprir seu papel. Uma com mais segurança preventiva (PM) e a Civil com andamento das investigações para detectar grupos criminosos. Se não cuidar isso pode piorar.”

Ontem mais uma tentativa de ataque foi registrada em Campinas. A família de um gerente de um banco foi sequestrada por bandidos que planejavam assaltar a agência. Mas, uma colega de trabalho desconfiou por ele estar nervoso e chamou a polícia e o assalto não aconteceu.

Na semana passada outros dois bancos foram invadidos por grupos que roubaram dinheiro do cofre e de caixas eletrônicos. Um no bairro Castelo, no horário do almoço, e outro no distrito de Barão Geraldo, ainda pela manhã.
 
Na ação no distrito, assim como no caso de ontem, a família de um vigia foi feita refém enquanto quatro bandidos pegavam os valores na agência. Nos dois casos os assaltantes fugiram com valores. A estimativa é que as duas ações tenham rendido cerca de R$ 200 mil.

Outra forma comum de ação em Campinas (três casos) é utilizar uma marreta para invadir as agências bancárias. Eles estouram o vidro para assustar e afugentar as pessoas e até os vigias.

“São quadrilhas que utilizam armamento pesado e usam modo parecidos com o dos ataques a caminhões de carga. Com o final do ano e a dificuldade de negociar carga, os grupos passaram a agir nessas unidades bancárias. Esses criminosos tendem a migrarem de ocupação", analisou o chefe dos investigadores da DIG, Marcelo Hayashi.
 
"Quando o banco segue procedimento de segurança e aciona a chefia, que nos avisa, tem como a polícia agir rápido e impedir o roubo, além de liberar as vítimas.”

Insegurança


Nas ruas de Campinas, os constantes casos despertam sensação de insegurança nas pessoas.
 
“Toda semana vejo casos de roubo a banco. Agora é uma época que circulamos mais pelas agências para receber. Esses casos dão bastante medo”, afirmou a aposentada Janete Perez, de 60 anos. O vendedor Artur Soares, de 48, também fica preocupado com a ação de criminosos.
 
“Tem que ter mais polícia. Se sabe que eles estão atacando os bancos, a polícia precisa cumprir seu papel. Não é só o banco.”

Civil apura e PM não comenta


A Polícia Civil segue na busca de informações para a investigação. “Mesmo com nossas linhas de investigação, não descartamos nenhuma possibilidade”, afirmou Hayashi, da DIG.

A PM foi procurada pela reportagem para comentar os casos, mas a corporação não quis se manifestar sobre os recentes casos. Apenas afirmou que no mês de setembro não houve nenhum caso de ataque a banco.

Informou ainda que no mês passado a corporação foi responsável pela redução de 9,1% dos casos de homicídios culposos, aqueles onde não há intenção de matar. Por outro lado, os casos de homicídios dolosos, quando há intenção, cresceram 37,5% entre agosto e setembro em Campinas.
 
Em um mês, 11 pessoas foram assassinadas. Outras três, também em setembro, foram vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte).
 
Casos desde setembro

1 — 11/12 - a família de um gerente do Banco Santander da Avenida da Saudade foi sequestrada por bandidos que planejavam assaltar a agência. Uma colega desconfiou e chamou a polícia. A família foi libertada sem ferimentos. Os bandidos fugiram.

2 — 11/12 - um caixa eletrônico localizado dentro de uma padaria foi alvo de bandidos que explodiram o equipamento no bairro Bom Retiro, em Paulínia. Os bandidos conseguiram fugir com o dinheiro.

3 — 8/11 - um assaltante fugiu e outro foi preso após uma tentativa de roubo a uma agência bancária em Valinhos. A dupla abriu um buraco na parte de trás dos caixas eletrônicos, mas os policiais chegaram antes que eles tivessem acesso ao dinheiro.

4 — 6/11 - bandidos explodiram caixas eletrônicos da agência do Santander, no campus I da PUC-Campinas. Logo após a explosão, os criminosos entraram no banco, recolheram dinheiro e fugiram em um Fiat Uno preto.

5 — 7/11 - uma quadrilha tentou roubar um carro-forte na Rodovia D. Pedro I, na altura do km 115. Os criminosos estavam armados com fuzis e atiraram no veículo. Eles também utilizaram explosivos para tentar abrir o cofre. Apesar dos estragos, os ladrões não conseguiram levar os malotes e fugiram.

6 — 6/11 - criminosos sequestraram a família de um vigilante da agência do Banco do Brasil em Barão Geraldo para roubar a unidade. Eles entraram no local pela manhã junto com o vigia, roubaram o dinheiro do cofre e dos caixas eletrônicos. Quando saíram, a família do vigia foi libertada. Ninguém foi preso.

7 — 3/11 - ao menos quatro homens encapuzados e com armas invadiram a agência do Santander, no Castelo, e levaram dinheiro dos caixas e do cofre. O assalto ocorreu por volta de 12h30 quando o bando entrou no autoatendimento e quebrou o vidro com uma marreta. Eles renderam a gerente, que foi obrigada a abrir o cofre. Os bandidos fugiram em um Corolla preto.

8 — 30/10 - Um bando armado atacou dois carros-fortes na Rodovia Adhemar de Barros, próximo a Aguaí. Uma viatura da Polícia Rodoviária que seguia pela estrada foi atacada a tiros. Um policial foi atingido e morreu. Nada foi levado.

9 — 22/10 - um bando formado por 12 assaltantes atacou a Caixa Econômica Federal em Sousas. Os bandidos usaram uma marreta para quebrar o vidro que dá acesso ao banco. Após o roubo, eles fugiram pela Rodovia D. Pedro I. Houve perseguição e troca de tiros com a polícia. Ao todo, oito criminosos foram detidos. Cinco deles foram baleados durante a fuga. A polícia conseguiu recuperar um malote do dinheiro roubado.

10 — 8/10 - uma quadrilha de dez homens armados assaltou a agência da Caixa no Parque São Quirino. A ação ocorreu por volta das 17h30, quando havia cerca de 10 pessoas no banco. Os criminosos bloquearam a via e quatro deles entraram, quebraram o vidro e renderam o segurança, que teve arma e colete levados com um malote.

11 — 4/09 - uma quadrilha armada com fuzis surpreendeu três vigilantes que descarregavam malotes no subsolo do Bradesco, no Centro de Campinas. Três criminosos renderam os funcionários do carro-forte e um vigia do banco. Foram levados dois malotes.

Fonte: RAC

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