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Falta de investimento aumenta roubo de carga

26/09/2014

O presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, José Aurélio Ramalho, disse, nesta quarta-feira (27), em Campinas (SP), que a falta de investimento em segurança nas rodovias e nas próprias indústrias abre caminho para o aumento no número de casos de roubo de carga no Brasil. Segundo José Aurélio Ramalho, o País está atrasado no investimento de mecanismos que facilitem a identificação desses produtos roubados.
 
Ramalho esteve na cidade para participar de um debate promovido a empresários da Câmara Americana de Comércio (Amcham Campinas) sobre a onda de roubos que atinge a região desde 2010.  Cerca de 70 empresários, muitos do ramo de logística, e os presidentes das concessionárias CCR AutoBan e Rota das Bandeiras, admitem que falta integração entre as polícias e entre o próprio setor privado.
 
Balanço
 
A Região Metropolitana de Campinas (RMC) manteve uma média de aproximadamente 45 roubos de carga por mês de janeiro a julho desse ano. Campinas registrou cerca de 22 ocorrências a cada mês. Entretanto, houve queda nos primeiros sete meses desse ano em comparação a 2013.
 
O presidente José Ramalho disse que o Brasil esbarra na falta de tecnologia e fiscalização para implantar tecnologias de rastreabilidade já usadas em todo o mundo. “Existem hoje marcações com nanotecnologia, que identificam as cargas e seus componentes. Desde um vidro de remédio até uma geladeira podem ser marcados com uma bolinha do tamanho de uma cabeça de alfinete, onde estão criptografados todos dados daquele produto. Existe uma documentação nesse nanoponto que passa todas as informações, inclusive se foi ou não roubado. Assim dá inclusive para identificar o receptor, que eu considero como o grande vilão do roubo de carga”, explicou.
 
Receio
 
O empresário, segundo ele, fica receoso em importar essa tecnologia e a fiscalização não acompanhar esse sistema. Já Fábio Barbosa, coordenador do grupo de prevenção a roubo de cargas criado pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), defende que o trabalho para combater os crimes das rodovias deve ser integrado entre polícias e empresas. “O grupo tem trabalhado em conjunto com associações, indústrias e governos para apontar quais são os locais e os modos de operação das quadrilhas, e o que pode ser criado para impedir essas ações”, disse Barbosa.
 
As concessionárias que administram as rodovias na região disseram que não têm como garantir a segurança dos motoristas e nem evitar os assaltos, e que disponibilizam câmeras de monitoramento, por meio dos seus Centros de Controle Operacional (CCO), para auxiliar na prevenção e na investigação dos crimes.
 
Anhanguera: a  campeã

“Os índices das ocorrências criminais são monitorados e ficam à disposição da Polícia Militar Rodoviária. Também já propomos um CCO onde poderia se tornar o núcleo dos centros de controle”, informou o diretor-presidente da concessionária CCR AutoBan, responsável pela administração das rodovias Anhanguera e Bandeirantes, que cortam a região de Campinas, Maurício Vasconcellos.
 
A rodovia Anhanguera é a que mais registra incidência de roubos de carga no Estado, somando 16,4% dos casos registrados. Na sequência, as maiores incidências de roubos aparecem nas rodovias Dutra (12,6%), Régis Bittencourt (9,7%) e Castelo Branco (7,5%). De acordo com Vasconcellos, quarta-feira é o dia da semana com maior índice de roubos a cargas, representando 15,3% das ocorrências. Os piores períodos do dia compreendem das 8h até às 10h.

Integração
 
As concessionárias pediram, ainda, ajuda aos empresários do setor de logística para resolver a questão, além de uma integração maior entre as forças policiais. Julio Perdigão, diretor-presidente da concessionária Rota das Bandeiras, responsável pelo trecho do corredor Dom Pedro I (SP-065), reafirmou que a concessionária é “o meio, e não o fim” da segurança nas estradas. “Cerca de R$ 3 milhões a concessionária repassa para a Polícia Militar Rodoviária se aprimorar e consequentemente combater os crimes. Entretanto, se o setor empresarial não se organizar e incomodar as agendas, o combate ao crime nas estradas fica comprometido”, pontuou.
 
Segundo Perdigão, a concessionária poderia disponibilizar sua infraestrutura para colocar câmeras em pontos mapeados, onde há maior incidência de roubos. “No caso da Samsung [onde sete caminhões foram usados no mega-assalto que levou cerca de R$ 20 milhões em eletrônicos, em julho], mesmo com a aproximação das imagens, não se percebeu que havia qualquer anormalidade, ou seja, um roubo daquela proporção em andamento”, frisou. Os roubos de carga na rodovia Dom Pedro I registraram aumento de 66% no comparativo do primeiro semestre desse ano e o mesmo período de 2013. Foram nove roubos no ano passado contra 15 neste ano.
 
Núcleo especializado

O governo de São Paulo anunciou no fim de 2013 a criação de um núcleo especializado de combate ao roubo de cargas em todo o Estado, incluindo a região de Campinas. A ação prevê que todas as Delegacias de Investigações Gerais (DIGs) das Delegacias Seccionais terão um núcleo para apurar o furto, o roubo e o desvio de cargas.
 
A criação do núcleo faz parte do Programa de Prevenção, Fiscalização e Repressão ao Furto, Roubo, Apropriação Indébita e Receptação de Cargas (Procarga). A portaria para a criação do núcleo foi divulgada no Diário Oficial do Estado em julho desse ano, e o trabalho está sendo estruturado.


Fonte: Correio

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