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Empresas recorrem a rastreamento contra o roubo nas estradas

25/11/2013

Para reduzir os prejuízos gerados por uma média de 11 mil roubos de cargas por ano no Brasil, as transportadoras investem pesado em sistemas de proteção. Mesmo assim, em 2013, a projeção da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) é de que o volume financeiro dos prejuízos ultrapasse a média de R$ 1,3 bilhão em mercadorias. Isso sem contabilizar os danos causados aos veículos. A estatística dá continuidade a uma guerra de inteligência travada entre os operadores logísticos e os criminosos. São estratégias que envolvem aspectos como a elaboração de planos específicos de percurso, utilização de comboios de passagem por regiões mais visadas, contratação de consultorias especializadas e de mão de obra ativa para o acompanhamento dos sistemas de rastreamento.

No geral, as empresas preferem não comentar as ações adotadas para dificultar a ação das quadrilhas especializadas. Em uma década, apesar do barateamento dos produtos para rastreamento, os gastos fixos com as iniciativas de segurança ainda atingem um patamar significativo do faturamento e incidem diretamente sobre a formação do preço dos fretes. Na avaliação do gerente comercial da transportadora Giovanella, Wlademir Martines, trata-se de uma verdadeira operação de guerra, que envolve a luta contra quadrilhas munidas de informações capazes de gerar assaltos cada vez mais ousados. Por isso, a empresa possui uma frota de mais de 500 caminhões registrados em algum tipo de monitoramento e uma equipe de dez pessoas em revezamento 24 horas por dia para acompanhar a trajetória dos veículos. A estrutura determina acréscimos nas despesas, potencializados pelas constantes atualizações das tecnologias disponíveis no mercado. No máximo, a cada dois anos é necessário trocar todos os equipamentos e softwares em atividade.
Entretanto, a maior fatia do custo fica por conta da comunicação. É preciso estar 24 horas por dia em contato com os motoristas. Em geral, a posição dos veículos é fornecida em intervalos de 10 minutos a uma central de monitoramento. Em zonas de risco, o mesmo procedimento ocorre a cada 60 segundos, aumentando as despesas.

Isso porque os sistemas mais utilizados diferem dos mapas de GPS e são atualizados por meio de um pulso e de acordo com uma programação específica. Com o emprego simultâneo de equipamentos de perimetria, mais do que a localização, as equipes de segurança consideram variáveis de velocidade, clima, rotação do motor e uma série de informações que podem ser muito úteis também para antecipar acidentes. Além disso, para alguns tipos de mercadorias, como alimentos, pneus, ferro e aço, o monitoramento passou a ser uma exigência dos clientes. A Giovanella, por exemplo, transporta cerca de 150 mil toneladas de aço por mês, e todas as grandes siderúrgicas exigem sistemas complexos de acompanhamento do material  – o que amplia consideravelmente os gastos.

“Se usarmos essa estrutura apenas para segurança, o equipamento não se paga nunca. É preciso tratar os sistemas como ferramentas de apoio logístico. Pois eles também revelarão a jornada de trabalho do motorista, o tempo de carga e descarga e uma série de informações para otimizar os processos e tornar a relação entre custo e benefício menos pesada”, exemplifica Martines. O supervisor operacional da Volpato, Moises Boeira, afirma que é possível obter redução média de 20% nos furtos e roubos com a implantação de sistemas de rastreamento. Entretanto, a estatística não contempla a dura realidade das cargas.

A empresa possui um dos maiores centros de monitoramento do País. No local, 14 operadores se alternam nos turnos para receber as solicitações de eventuais bloqueios em cerca de 5 mil veículos cobertos pelo serviço de alerta e botões de pânico, acionados em caso de assaltos. Há ainda opções de cercamento eletrônico, que permitem o acompanhamento pelos próprios assinantes e servem para delimitar as áreas onde a frota pode circular, criando uma espécie de  espelho no roteiro da empresa proprietária. Para o presidente do Setcergs, Sérgio Neto, todos os sistemas são similares e alguns mais indicados por serem híbridos, com localização via satélite ou celular. Há bloqueios de porta, baús e uma infinidade de opções, mas o que os diferencia, de fato, é o preço de aquisição do equipamento e o valor pago mensalmente pela tecnologia.

“O monitoramento é o mais caro. Requer atenção maior da gerenciadora, envolve pessoas e atendimento em caso de sinistro, acompanhamento em pontos de parada com apoio das empresas. É um trabalho preventivo. Talvez a inibição seja maior. Mas hoje se rouba rastreado ou não rastreado”, comenta.

Primeira fase de implantação do Simrav exclui motos e grandes carretas de carga

Uma lei criada em 2006 por meio da Resolução 245 prevê a instalação de equipamento de rastreamento e monitoramento em todos os veículos fabricados no Brasil até 2014. Depois de oito adiamentos, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) certificou o primeiro grupo de fabricantes de equipamentos antifurto. O debate iniciado há sete anos, quando o governo estabeleceu a política de prevenção ao roubo de veículos, gerou o Sistema Integrado de Monitoramento e Registro Automático de veículos (Simrav). Inicialmente, os rastreadores seriam instalados em agosto de 2009. Porém, o cronograma teve que ser revisto por mais de três anos diante da resistência de montadoras, da demora na implantação do sistema e de uma liminar que suspendeu na Justiça o programa em razão da violação ao direito de privacidade.

O atraso proporcionou novos ajustes no desenvolvimento dos módulos fundamentados na localização por GPS e comunicação por telefonia celular. O objetivo é localizar e imobilizar de forma mais ágil os veículos furtados.  Conforme explica o vice-presidente de rastreamento e monitoramento de cargas da Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Riscos e de Tecnologia de Rastreamento e Monitoramento (Gristec) e presidente da Zatix, Cileneu Nunes, o maior empecilho era a implementação de uma central, que já foi instalada e está em fase de testes. “Todas as simulações ocorreram de maneira satisfatória. Não o vejo emperrado. Trata-se de um processo cauteloso e com muita complexidade, mas tecnicamente está andando.”

Na primeira etapa, as análises envolveram um grupo de empresas e de serviços que contava com maior aparato tecnológico, como Zatix, Sascar, Ituran, Controle e Autotracker, além de duas operadoras de celular (Claro e Vivo) e algumas fabricantes de módulos. Ainda nesse ano, serão chamadas outras operadoras, mas as avaliações devem ser mais focadas em automóveis, utilitários, ônibus, micro-ônibus e caminhões. Ficaram de fora as motocicletas e as grandes carretas. “As cargas virão com o tempo. Estamos falando de uma primeira geração com funcionalidades mais básicas, mas creio em uma segunda etapa, com maiores possibilidades. Já que o sistema está aí, é preciso saber como tirar o máximo de proveito em benefício dos usuários. Acredito que podemos trabalhar em uma nova gama de serviços que possam ampliar a segurança e até mesmo reduzir acidentes e custos das empresas”, comenta Nunes.

De acordo com o executivo, o principal avanço se refere à integração do sistema de rastreamento às demais partes integrantes do veículo – o que dificulta a remoção. “O rastreador está intimamente ligado ao veículo. Se torna mais um dos componentes inteligentes do automóvel. Assim, o bloqueio será muito mais eficiente e sofrerá muito menos com vandalismos. Tenho certeza de que os índices de recuperação vão aumentar”, afirma.

O presidente do Setcergs, Sérgio Neto, considera a ideia positiva, mas percebe dificuldades práticas em sua implementação. “Além de onerar e gerar alguns custos para a fábrica, que serão repassados, existe a dificuldade de identificar equipamentos altamente eficientes e que cheguem a esse ponto do combate ao roubo de qualquer tipo de veículo. Regulamentar isso é muito difícil, porque o mercado é muito dinâmico e as empresas fazem a opção pelo mecanismo e tecnologia com o melhor custo e eficiência. Não atenderá à necessidade específica de cada consumidor. A dificuldade é sincronizar o interesse de quem compra com o de quem vende. Há seguros que já fazem o monitoramento. É muito mais fácil o próprio dono da frota fazer essa opção”, defende Neto.

Na opinião do supervisor operacional da Volpato, Moises Boeira, com o Simrav, os veículos já sairão de fábrica com o rastreador, mas não passam a contar automaticamente com os serviços e será preciso optar pela ativação, que poderá ser obtida com planos já oferecidos por algumas seguradoras.  “A ideia principal é popularizar o equipamento”, complementa.

Identificação por radiofrequência chega ao mercado

Outro plano institucional em andamento, o Sistema de Identificação Automática de Veículos (Siniav) pode agir de maneira complementar ao Simrav. A identificação eletrônica por radiofrequência é uma forma de ler a placa do veículo e acessar o banco de dados para checar as informações sobre os proprietários, os licenciamentos e outros índices de controles, mais voltados à fiscalização no pós-roubo.
Alguns equipamentos focados na nova legislação já começam a surgir no mercado para atender à demanda de instalação, até junho do ano que vem, nos 77 milhões de veículos que integram a frota nacional. Uma parceria entre a Intel e a Autofind, lançou no início de novembro uma solução baseada na plataforma WISP (um sistema de radiofrequência desenvolvido pelo Intel Labs em colaboração com a Universidade de Washington e o MIT) e adaptada para as necessidades brasileiras.

A empresa foi a pioneira global no uso da plataforma quando lançou, em 2011, em parceria com a Petrobras distribuidora, o chamado Posto do Futuro. Agora a ideia é oferecer essa tecnologia aos programas públicos de mobilidade, que pretendem reduzir os 400 mil furtos de automóveis registrados em 2013 – quantidade que supera, inclusive, a produção anual conjunta das  marcas Peugeot, Citröen e Renault no País.

Além disso, o controle da evasão fiscal deve ser elevado a um novo patamar. O presidente da Autofind, Antonio Calmon, lembra que em São Paulo 30% da frota, ou cerca de 2 milhões de veículos, não está licenciada e se mantém inadimplente em multas e em IPVA. Segundo Calmon, se 10% dessa fatia for regularizada, os custos com os programas se tornariam autossuficientes.
O executivo também destaca um levantamento feito junto às secretarias municipais de Fazenda que aponta possibilidade de um crescimento de 30% na arrecadação dos munícipios somente com a implantação do novo sistema de monitoramento automático dos veículos brasileiros.

Comissão debate melhorias para evitar ação de bandidos

Os investimentos públicos em infraestrutura de transporte não costumam acompanhar os valores aportados pelo setor privado em controle e em segurança. Por isso, as empresas de logística são obrigadas a gastar para desenvolver sistemas capazes de monitorar o percurso das cargas que despacham.

No Setcergs, a comissão de segurança e roubo de cargas tem a finalidade de debater melhorias na prevenção. O trabalho desenvolvido em parceria com Delegacia de Prevenção ao Roubo de Cargas (DEIC), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Secretaria de Segurança e Pró-Carga SP auxilia na geração de dados para ampliar as informações de combate às quadrilhas, o que permite que as empresas estabeleçam ações de prevenção, tais como pontos de parada e rotas mais seguras.
Conforme explica o coronel João Carlos Trindade, assessor de segurança do Setcergs, no País uma das principais zonas de crimes é a Grande Curitiba – com média de três roubos diários registrados. Na região,  há locais preestabelecidos de parada, e muitas empresas só passam durante o dia e em comboios. O segundo ponto fica num raio de 100 quilômetros de São Paulo, que envolve também o munícipio de Campinas.

No Rio Grande do Sul, a prática destes crimes se mantém estável nos últimos três anos, chegando a 260 boletins de ocorrência em 2012.  A maior concentração dos casos ocorre em Porto Alegre e municípios vizinhos, se estendendo até os vales do Sinos e do Caí, ao longo da BR-386. Os delinquentes preferem agir nas segundas, quartas e sextas-feiras  (54,55% dos casos), escolhendo o horário da madrugada em um terço do total de assaltos (32,41% dos casos).

A estimativa do Setcergs é de que em apenas duas horas algumas cargas mais visadas sejam desovadas no mercado negro. Por isso, uma das novidades do mercado tem atacado diretamente os repasses. O sistema consiste na marcação refletiva e gravação em alta qualidade da placa do veículo em peças e pontos estratégicos do caminhão. Ao todo, o produto permite 130 marcações em micropunções computadorizadas (mesmo modelo usado pelas montadoras na marcação de chassis).

De acordo com o presidente do Setcergs, Sérgio Neto, com as peças marcadas dessa forma, o desmanche dos veículos se torna praticamente impossível. “É uma guerra de inteligência e é possível marcar partes mais caras como o tanque”, exemplifica. Conforme Jones Muraski, sócio da empresa de Santa Catarina que oferece a instalação de adesivos autodestrutivos, em dois anos de atuação não houve registro de roubos entre os 5,4 mil caminhões marcados que rodam pelas estradas.


Fonte: Jornal do Comercio

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