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Morvic demite cerca de 30 taxistas por suposto roubo aos clientes

08/11/2013

Alguns trabalhadores da Morvic vieram denunciar ao nosso jornal que estavam a ser despedidos sem mais nem menos. Embora não quisessem aprofundar os reais motivos que culminaram no fim do vínculo contratual que tinham com aquela empresa, os interlocutores, que preferiram falar sob anonimato, diziam-se injustiçados.

O PAÍS ouviu a direcção da empresa de táxis, o seu proprietário e director, Victor Morais, negou as acusações, alegando que ‘aqueles funcionários foram despedidos justamente, pois andavam a roubar grandes quantias monetárias dos cofres da empresa, mesmo auferindo um bom salário’.

Eles falsificavam o taxímetro (aparelho instalado no automóvel, para marcar, em função da distância percorrida ou do tempo despendido, a quantia a pagar pelo utente), com o objectivo de subtrair dinheiro dos passageiros para benefício próprio, ou seja, “escusavam-se de ligar aquele dispositivo e fixavam uma tarifa diferente da que é cobrada pela empresa.

No fim do dia, parte do dinheiro cobrado ia para os seus bolsos”, explicou Victor Morais.

Foi por intermédio de denúncias de alguns clientes que a empresa apercebeu-se deste tipo de falcatrua, além da ajuda do sistema GPS, que têm instalado nas viaturas, que sinalizava quando o motorista está (ou não) Depois de ter demitido aqueles trabalhadores, a Morvic triplicou a produção em actividade. De acordo com aquele empresário, eram furtados diariamente cerca de 15.000,00kz valor que poderia colocar os fraudulentos na condição de sócios da empresa.

“Não corresponde a verdade a alegação de que estão a ser despedido sem justa causa, por isso é que eles não se quiseram identificar.

Foi aberto um processo disciplinar, depois de descobrirmos isto tudo, mas mesmo assim não fomos para um despedimento directo (por jus a causa), estamos mais pela questão do fim do vínculo contratual. Todos eles estão a ser devidamente indemnizados e, inclusive, a receber bónus de Natal”, assegurou, mostrando os comprovativos.

O director disse ainda que a sua empresa desenvolveu um processo investigativo onde algumas pessoas fizeram-se passar por utentes para constatar o que estes indivíduos (mais de 25) faziam dentro dos carros da Morvic. Depois de descobertos, os motoristas foram convocados e posteriormente demitidos, obedecendo os trâmites legais.

A fraude económica que aquela “cambadas de indivíduos”, como chama o nosso entrevistado, praticava, custou milhões de kwanzas à empresa. “Um indivíduo que rouba mais de 150.000,00kz por mês, se multiplicarmos isto por um ano, é quase o valor que recebe um sócio de empresa”, disse ele, embora não tenha precisado os prejuízos causados.

Despedimentos irão continuar

Não havia motivos para aqueles funcionários roubarem, segundo o director, porque o salário base daquela empresa é 50.000,00 kz.

Para além daquele ordenado, os trabalhadores recebiam bónus e 25.000,00kz de subsídio de alimentação, por mês.

“Há taxistas que auferiam 140.000,00kz. Então, alguém que ganha este salário qual é a lógica de roubar a empresa?”, perguntou ele, lamentando o facto de aqueles indivíduos não serem honestos e preferirem o ‘cambalacho’, mesmo sabendo que terão dificuldades de inserção no mercado de trabalho, dada a pouca formação académica que têm.

Depois de já ter presenciado demasiados abusos e roubos, ter recebido chamadas de clientes a denunciarem práticas incorrectas dos taxistas, Victor Morais tomou esta atitude de modo a despertar também a sociedade sobre os taxistas fraudulentos e pretende continuar a demitir quem mostrar este tipo de comportamento.

“O maior problema dos trabalhadores angolanos é que não são 100% profissionais, querem ficar ricos facilmente e sem contribuírem para o progresso. Num mercado de tanta competição, tantos custos e impostos, aparecem 20 ou 50 trabalhadores a se comportarem assim (roubando), não há como não despedir”, sublinhou.

Aquele empresário assegurou que a sua frota não ficou sem taxistas, pois sempre que demite um procura empregar outro.

Desde que mandou para o olho da rua os indivíduos que roubavam a empresa, a produção triplicou a facturação, disse.

Apesar de muitos dos demitidos serem responsáveis de grupos que a empresa criou, o que fez com que influenciassem os outros a produzir pouco e roubar mais, Victor Morais reconhece que esta atitude não só custou a Morvic como também irá custar a outras empresas (do mesmo ramo, ou não), que irão empregar-los porque “a nossa Lei Geral de Trabalho é débil, flexível demais”, disse.

Fonte: opais

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