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Assalto a empresa de Porto Alegre alerta para roubo em transportadoras de cargas

04/06/2013

Bandidos assaltaram uma transportadora, fizeram funcionários reféns e levaram mercadorias, dois caminhões e um carro na zona norte da Capital. O crime de roubo de cargas, como o ocorrido na noite de domingo, causa prejuízo de aproximadamente R$ 100 milhões por ano, somente no Estado.

A estimativa é do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), que também diz quem paga a conta: o consumidor. O pesado investimento em segurança acaba embutido no preço dos produtos.

— As empresas usam a tecnologia dos veículos em deslocamento, rastreadores, bloqueadores e as câmeras nos prédios. Por outro lado, há um aparato para burlar bloqueadores e rastreadores. É uma luta permanente — afirma o ex-comandante-geral da Brigada Militar João Carlos Trindade, hoje consultor de Segurança do sindicato.

Conforme o delegado Luciano Peringer, titular da Delegacia de Repressão ao Roubo e Furto de Cargas, ligada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), as quadrilhas especializadas são formadas, em grande parte, por criminosos que já foram presos. E as investidas, normalmente, são nas estradas:

— Em princípio, ocorreram alguns roubos (nas sedes), mas as empresas não gostam muito da divulgação para não acabar ocorrendo outros. O que se verifica é que, provavelmente, são praticadas pelos mesmos grupos.

As transportadoras se valem de estratégias para driblar os criminosos, não apenas adquirindo novos equipamentos e contratando serviços de segurança. Entre as técnicas está a mistura de cargas transportadas para dificultar a vida dos ladrões, que têm de encontrar diferentes receptadores para os produtos.

— Existe a preocupação de sempre buscar novas tecnologias, pois o roubo de carga vai se aprimorando. Temos de estar sempre investindo em prevenção aos grupos qualificados e difíceis de se evitar — afirma um integrante da Expresso Javali, o alvo no domingo, que pediu para ter o nome preservado.

Até o início da noite desta segunda-feira, um dos caminhões levados havia sido encontrado na zona rural de Gravataí, enquanto o Grupamento Ambiental da Guarda Municipal fazia patrulhamento. A suspeita é de que os criminosos tenham identificado a aproximação dos policiais e fugido. Câmeras de segurança de estabelecimentos da redondeza da transportadora e da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) podem ajudar a identificar suspeitos. Um dos carros usados pelos bandidos foi abandonado no local do crime, e outro encontrado em Viamão.

Eletrônicos e eletrodomésticos são visados pelas quadrilhas

A facilidade para venda dos produtos é um dos fatores que guiam os criminosos na escolha do alvo. De acordo com o titular da Delegacia de Repressão ao Roubo e Furto de Cargas, delegado Luciano Peringer, a polícia verifica que as quadrilhas especializadas estão focando em aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos. Mercadorias com compradores garantidos também atraem os bandidos.

— O polietileno, por exemplo, tem receptadores específicos. Produtos como ferro e cobre são derretidos e mandados para metalúrgicas e siderúrgicas — diz o delegado, acrescentando que, quando não conseguem comercializar o material roubado, os criminosos o abandonam.

Consultor de Segurança do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), o ex-comandante-geral da Brigada Militar João Carlos Trindade acrescenta outra vantagem dos eletrônicos e eletrodomésticos: têm alto valor agregado.

— Quantas farmácias, postos de gasolina, estabelecimentos comerciais são necessários para obter o mesmo lucro? Se analisar do ponto de vista financeiro, um caminhão carregado tem um impacto bem mais significativo do que 30, 40 roubos — salienta Trindade.

Ladrões surpreenderam funcionários

— Na noite de domingo, ao desembarcarem de um ônibus nas proximidades da transportadora, dois funcionários foram rendidos por uma pessoa armada.

— Os três seguiram até o portão da empresa, onde o guarda também foi rendido.

— As cancelas da entrada tiveram de ser abertas, e três carros com assaltantes entraram no pátio.

— A quadrilha se espalhou pelas dependências da transportadora em busca de mercadoria.

— Quase 10 trabalhadores foram amarrados e colocados em um depósito.

— Os bandidos separaram uma carga que seria distribuída entre Porto Alegre, Região Metropolitana e Interior.

— Os produtos são variados, como aparelhos de ar-condicionado, fraldas e cabos de energia.

— Para a fuga, a carga foi colocada em dois caminhões da empresa. O carro de um funcionário também foi levado.

Fonte: bks

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