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E se SP tivesse um hidroanel, em vez de um rodoanel?

21/03/2013

Parece utopia, mas não é. Construir um hidroanel na região metropolitana de São Paulo não só é possível como necessário, na opinião do engenheiro Frederico Bussinger, cofundador do Instituto de Desenvolvimento, Logística, Transporte e Meio Ambiente (IDELT) e ex-secretário municipal de Transportes de São Paulo.

A capital paulista já é cortada por uma hidrovia, a Tietê-Paraná, que tem 41 km de extensão no território paulistano, mas o município pode - e precisa - ter muitas outras rotas fluviais que garantam o transporte de pessoas e de cargas públicas e comerciais pela água. "Atualmente, 90% do sistema de transporte de São Paulo é rodoviário, o que coloca o setor como principal responsável pelas emissões da cidade, respondendo por 55% da liberação de poluentes. Será impossível alcançar a meta que a Política Estadual de Mudanças Climáticas de São Paulo propõe para 2020, de reduzir em 20% suas emissões, se não forem feitas mudanças drásticas no setor de transportes", disse Bussinger, durante o encontro Cooperação pelas #ÁguasPaulistanas, que aconteceu nesta quinta-feira (21), em São Paulo, por conta do Dia Mundial da Água, comemorado em 22/03.

Para o especialista, a construção de um hidroanel na região metropolitana do Estado é a melhor solução. "O transporte hidroviário é energeticamente mais eficiente, ambientalmente mais amigável e, ainda, é oito vezes mais barato do que o rodoviário", contou Bussinger, que questionou: "Dois terços do perímetro de São Paulo é constituído por água, ou seja, a geografia está a nosso favor. O que estamos esperando para fazer isso acontecer?".

De acordo com o engenheiro, utilizando tecnologias que já existem na Europa para a navegação em rios estreitos e com águas rasas - já que grande parte dos corpos d’água paulistas foram engolidos pelas cidades e canalizados ao extremo -, o hidroanel de São Paulo tem potencial para chegar a 8.500 km de extensão e fazer o transporte de milhões de toneladas de cargas que, hoje, é feito pela malha rodoviária - sem contar a locomoção de pessoas. "Para se ter uma ideia, se apenas o setor da construção civil passasse a usar o hidroanel paulista para o transporte de materiais, já economizaríamos 26 mil viagens de veículos que são feitas diariamente nas ruas da região metropolitana de São Paulo", disse o cofundador do IDELT.

Estudos apontam que o hidroanel de São Paulo poderia estar pronto em 20 anos - mas, para Bussinger, a obra pode ser concluída antes disso -, demandando um investimento de R$ 13 mil bilhões. "Se mensurarmos todos os benefícios que o projeto trará, não considero uma quantia grande de dinheiro. O hidroanel é uma obra essencialmente de navegação, mas que têm múltiplas funções para as cidades. Água limpa e navegável é sinônimo de qualidade de vida", concluiu o engenheiro.
 
Fonte: Planeta Sustentável

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