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Em 2011, BRs somam 6 mil acidentes a mais

21/03/2012

Entra ano e sai ano e o número de acidentes continua crescendo nas rodovias federais. Em 2011, as BRs tiveram 3,3% mais acidentes que no ano anterior. O aumento foi ainda maior entre 2008 e o ano passado, de 34%. As ocorrências são provocadas principalmente por homens que dirigem carros de passeio e registradas aos fins de semana e à luz do dia, segundo análise dos dados de 2011. Apesar desse retrato, a falta de planejamento de ações de segurança viária e de punições rígidas aos infratores faz com que não haja regressão nas estatísticas.

Os números constam no levantamento anual de acidentes feito pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). De acordo com o estudo, os 68,9 mil quilômetros de rodovias atendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) registraram 188,9 mil acidentes que deixaram 104,4 mil pessoas machucadas e 8,5 mil mortos – um número semelhante ao saldo de mortes decorrentes dos conflitos na Síria no último ano.

No Paraná, conforme o Dnit, foram atendidos 21,8 mil acidentes, com 12,1 mil feridos e 725 mortos. Em comparação com os registros de 2010, o crescimento no índice de acidentes no estado foi de 5,1%. O aumento só não é mais preocupante porque a frota em circulação também cresceu no período. No país, a frota aumentou 8,8%, enquanto que no Paraná cresceu 7,6%, ou seja, índices superiores aos de acidentes.

Um retrato do perfil dos acidentes no país revela que 54% das ocorrências no ano passado envolveram carros de passeio, 86,9% dos condutores envolvidos eram homens, 26,8% deles tinham entre 30 e 40 anos, 32,9% das colisões ocorreram no período da tarde e 46,4% aos finais de semana. O mês de julho, que concentra as férias escolares, teve a maior incidência de acidentes, com 16,8 mil casos (8,9% do total de ocorrências anuais).

Perigo - O Dnit também fez um diagnóstico dos trechos mais perigosos para os motoristas. O início da rodovia BR-316 na região metropolitana de Belém, no Pará, está no topo do número de acidentes, acumulando, em 2011, 229 ocorrências. No Paraná, o trecho mais perigoso está no quilômetro 12 da BR-469, em Foz do Iguaçu. No local, que fica nas proximidades do Parque Nacional do Iguaçu e tem movimento elevado, foram registrados 43 acidentes no ano passado.

Já para a PRF, que usa uma metodologia diferente, os trechos mais preocupantes estão na BR-277, nas proximidades de Foz e no entorno de Paranaguá, no Litoral.

Análise - A professora do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná Gilza Fer­­nandes Blasi considera que faltam planejamento e rigidez na fiscalização, bem como na punição de motoristas envolvidos em acidentes com mortes. Ela aposta na eficiência das auditorias de segurança viária, que consistem em estudos de redução de acidentes nas vias. A professora lembra também que as estradas federais foram construídas em períodos com frota circulante menor e com limites de velocidade mais baixos.

O coordenador adjunto do curso de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Ricardo Bertin, relaciona os números ao estado das rodovias e à potência dos veículos. “As estradas, principalmente as pedagiadas, dão a falsa sensação de segurança aos motoristas, que empreendem maior velocidade aos veículos”, afirma.

Violência não cresceu, diz PRF - A Polícia Rodoviária Federal (PRF) relaciona a proporção de acidentes com o aumento da frota e da malha viária atendida para demonstrar que a violência nas rodovias não cresceu e que o serviço de fiscalização vem sendo eficiente. Nos últimos anos, por exemplo, o índice de acidentes por quilômetro de circunscrição da PRF foi de 2,27, em 2008, para 2,78 em 2011. Consi­­derando a frota circulante, o nú­­mero de acidentes, no mesmo período, se estabilizou em 0,002 acidentes por veículo por ano.

Para o assessor nacional de Co­­municação Social da PRF, Fabiano Moreno, além de os fatores interferirem na incidência de acidentes de trânsito, a gravidade das ocorrências está em declínio. Apesar de o Depar­­tamento Nacional de In­­fraestrutura de Transportes (Dnit) afirmar ter usado o banco de dados da PRF para fazer o diagnóstico de acidentes, a polícia apresenta nú­­meros diferentes sobre o mesmo levantamento, mas que não interferem nas porcentagens.

Dados - O Paraná tem uma singularidade quando o assunto é aumento no número de acidentes nas rodovias federais. Em 2008, pelos números da PRF, o estado teve 9.688 acidentes. Já em 2011, esse número subiu para 22.171, o que representa uma elevação de 128,8%.

Conforme a assessoria de im­­prensa da Superintendência da PRF no Paraná, essa alta ocorreu em razão do aumento da malha viária atendida pelo órgão. Em maio de 2009, a porção de trechos atendida pela corporação quase triplicou depois de uma decisão judicial que transferiu pontos da Polícia Rodoviária Estadual para a Federal. Hoje, a PRF paranaense tem 4.042 quilômetros.

Considerando a proporção de acidentes por quilômetro, no ano passado o Paraná teve 5,48 acidentes por km das rodovias fe­­derais. A média, no entanto, ainda é bem maior que a nacional, que teve 2,78 acidentes por km.

Embriaguez - Lei Seca não teve efeito esperado na queda de ocorrências.

Em vigor desde junho de 2008, a Lei Seca parece não ter repercutido na redução de acidentes nas estradas federais. Conforme levantamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), entre 2008 e 2011 a média de acidentes aumentou 34% no Brasil. A alta no período foi acompanhada pelo número de feridos e de mortos: 23,3% mais pessoas machucadas em batidas nas estradas e 22% mais óbitos.

Para o coordenador adjunto do curso de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Ricardo Bertin, o fato de o motorista ter o direito de se recusar a usar o bafômetro, para não produzir prova contra si, enfraquece a lei. O novo Código Penal deve prever a possibilidade de testemunhas comprovarem a embriaguez de um motorista ao volante. “A mudança deve melhorar a situação e a aplicação da legislação”, comenta.

Para o assessor nacional de Comunicação Social da Polícia Rodoviária Federal, Fabiano Moreno, a Lei Seca “pegou”. “Antes da Lei, os acidentes causados por motoristas embriagados não ganhavam destaque. Hoje, eles são manchetes dos jornais. Outra coisa: só no Carnaval a Polícia Rodoviária Federal fez um teste de bafômetro a cada 17 segundos e mais de mil motoristas embriagados foram retirados de circulação”, completa.

Fonte: Gazeta do Povo

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