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Bastaram 12 horas de greve para Minas ficar sem gasolina

09/03/2012

Uma paralisação de pouco mais de 12 horas dos tanqueiros – caminhões que transportam combustíveis -, durante a manhã de ontem, foi suficiente para tumultuar a rede de distribuição de combustíveis de Minas Gerais. O Sinditanque, que representa a categoria, anunciou que os cerca de 800 caminhões que entregam combustíveis aos 4.140 postos do Estado estavam em greve desde a 0h.

Foi só a informação começar a circular para provocar uma corrida aos postos. “Minha intenção nem era encher o tanque, mas como preciso do carro, tive que me prevenir”, disse o técnico em informática Vitor César Marques, que correu para um posto depois de saber da greve pelo rádio.

Como o estoque dos postos é suficiente para, no máximo, dois dias de funcionamento, o medo era que a greve secasse as bombas e provocasse um transtorno incalculável, tendo em vista o que aconteceu em São Paulo nos últimos dias.

Lá, o abastecimento foi paralisado em protesto à proibição de circulação dos caminhões em certos horários na cidade. Os poucos postos que tinham gasolina chegaram a vender o litro por R$ 4,50. Embora as reclamações dos tanqueiros dos dois Estados sejam diferentes, o sindicato mineiro se beneficiou da repercussão da greve em São Paulo para amplificar o movimento.

Não existe balanço de quantos postos ficaram sem combustível em Minas, mas Belo Horizonte, Barbacena, Montes Claros e Divinópolis foram as cidades mais prejudicadas, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Minas Gerais (Minaspetro-MG).

A principal reclamação da categoria é a alta na alíquota do ICMS do diesel em Minas Gerais, que, há alguns meses, subiu de 12% para 15%. Segundo José Geraldo de Castro, diretor do Sinditanque, o custo do diesel para os transportadores já supera 50% do custo total do transporte. Antes do aumento do ICMS, ele diz, o percentual era de 35%.

A categoria não deixa, no entanto, de reclamar da restrição da BHtrans ao tráfego na região central da cidade das 7h às 20h e, nos grandes corredores, das 9h às 12h e das 17h às 20h.

A professora Andrea Vieira, que engrossou a corrida aos postos, ontem, antecipou o desfecho da história. “Acho que a greve acaba logo”, opinou. E acertou. Durante toda a manhã de ontem, o Sinditanque afirmou que a parada seria por tempo indeterminado, mas, às 13h, os caminhões voltaram a trabalhar. Em nota, a BHTrans informou que, excepcionalmente ontem, das 17h às 20h, o trânsito dos caminhões-tanque foi liberado, para que o abastecimento pudesse ser normalizado.

A suspensão da paralisação aconteceu depois que a Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF-MG) agendou uma reunião com representantes da categoria para a próxima segunda-feira, às 10h. O encontro, porém, não traz garantias de que não haverá novos transtornos, já que nem governo nem transportadores parecem dispostos a ceder.

Mesmo antes do anúncio da reunião, o Sindicato Nacional de Empresas Distribuidoras de Combustível (Sindicom) estudava medidas para suspender a greve, pois as distribuidoras estavam se sentindo prejudicadas.

Em São Paulo, consumidores denunciam aumento de preço – A Fundação Procon de São Paulo recebeu, até ontem, pelo menos 200 denúncias de consumidores sobre o aumento abusivo nos preços dos combustíveis nos postos de São Paulo. Os estabelecimentos elevaram os valores da gasolina e do etanol após caminhoneiros autônomos paralisarem as entregas em protesto contra a restrição na Marginal do Tietê.

De acordo com o órgão, 70 postos foram fiscalizados e nove gerentes foram detidos pela Polícia Civil, sob suspeita de se aproveitarem da crise para aumentar os preços da gasolina e etanol. Um dos estabelecimentos cobrava quase R$ 5 por litro de gasolina.

Caso seja confirmado que o posto cometeu crime contra economia popular, o local será multado e o caso encaminhado ao Ministério Público. O valor da multa varia entre R$ 400 a R$ 6 milhões. Segundo o Código de Defesa do Consumidor, é considerada como prática abusiva “elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços”.

Fonte: O Tempo

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