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Roubo de carros cresce 5,8%

16/12/2011

Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que São Bernardo lidera a lista de roubos e furtos de veículos na região neste ano, com 5.785 casos registrados entre janeiro e novembro. A cidade ocupa a terceira posição no ranking estadual (veja abaixo), atrás apenas da Capital e de Campinas, e está à frente de Santo André (4ª), Diadema (8ª), Mauá (11ª) e São Caetano (12ª).

O problema é crônico, mas a Polícia Militar diz que 60% dos veículos são recuperados. A média é de 160 casos solucionados por mês, contra 60 no restante do Estado. Mas o que é necessário fazer para conter os índices?

"Reduzir a frota", disse o comandante da Polícia Militar no Grande ABC, coronel Roberval França. A região teve crescimento de 75% no número de veículos nos últimos dez anos. A população cresceu 8% no mesmo período. "Isso atrai a criminalidade", completou.

Em comparação com o mesmo período no ano passado, os casos de roubos e furtos de veículos na região cresceram 5,8%. A média é baixa em relação ao Estado, onde houve aumento de 14,13%. Roberval França garante que a tendência é de queda para 2012. Para isso, a polícia tem trabalhado em ações integradas, reforçado o policiamento nos principais corredores da região e mapeado as áreas com maior incidência. No caso, as regiões centrais das cidades, embora a incidência desse tipo de crime seja alta em alguns bairros da periferia.

"Com a falta de estacionamentos apropriados, o carro acaba sendo deixado na rua, o que facilita a ação dos criminosos", disse o comandante. O Grande ABC, por ser caminho entre Litoral e Capital, concentra grandes números de desmanches irregulares. Também por isso, há migração de ladrões de outros lugares para a região, na avaliação do policial.

Outra medida tomada pelo comando da Polícia Militar é o pedido para que forças especiais, como a Rota e a Rocam, atuem nas sete cidades. "É um trabalho de inteligência", disse Roberval.

MARCA

Dados da CNSeg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização) mostram que o Gol é o modelo mais visado pelos criminosos. Mas Roberval França alerta que o dado é ilusório. "Não há uma preferência. Cada modelo tem a sua finalidade."

Carros como o Fusca, que aparece na lista, são visados por causa da falta de peças de reposição no mercado. Isso influencia no preço do seguro. Independentemente do modelo, o endereço do proprietário é que define o valor. O morador do Grande ABC, em bairros mais visados, pode pagar até R$ 1.600 por ano para ter tranquilidade maior ao estacionar.

De todas as cidades da região, apenas São Bernardo apresenta maior número de roubos e furtos de veículos em um distrito policial de bairro, o 3º, no Assunção (veja abaixo). "Na minha rua é um caso por semana", disse o gerente de manutenção Valdir Ariceto, 67 anos. Ele mesmo foi vítima, quando entregou as chaves após ter arma apontada para a cabeça na porta de casa.

O crescente número de condomínios e prédios, junto à falta de garagens para acomodar os veículos, que ficam na rua, faz de bairros de classe média alta prato cheio para a ação dos criminosos nessas áreas.

Em Santo André, no Parque Oratório, os roubos são aos domingos. A vendedora Paula Sarto, 38, diz que a proximidade com a Capital e a realização de uma feira faz os furtos serem rotina semanal. "É parar o carro e já era. Todo domingo. Comigo foi assim que aconteceu."

Segundo ela, a ação dos criminosos é visível. Eles atuam em grupos de até dez pessoas e usam rádio para se comunicar e avisar dos modelos disponíveis. "Você percebe que eles olham, comentam, falam uns para outros. É uma quadrilha. São pessoas que nunca vimos na vizinhança antes e que não têm boas intenções."

Desmanches ainda são os principais destinos

A influência dos desmanches ilegais de veículos na ação dos criminosos é um dos principais motivadores do alto número de roubos e furtos de carros na região. A polícia não tem dados de quantos deles existem, já que a maioria atua próxima à divisa com a Capital. Mas os dados assustam: 30% dos carros e motos roubados na Grande São Paulo e Litoral são encontrados na região.

O publicitário Lucas Bolognese, 24 anos, conheceu de perto o problema. Na terça-feira, o seu Kadett foi roubado no Baeta Neves, em São Bernardo. Foi encontrado anteontem, apenas com a carroceria e as portas. Suas peças são valiosas no mercado paralelo. "Ele estava sem bateria, não andava. Amarraram uma corda e arrastaram meu carro até Santo André. E ninguém fez nada", disse.

Assim como ele, o construtor Almir Valentim, 38, já teve dois carros roubados no Parque Capuava, em Santo André, onde mora. "O desmanche é o maior incentivo ao roubo. Se roubam, é porque tem alguém querendo comprar as peças", completou.

Apenas 18% dos veículos roubados no Grande ABC são recuperados na Capital. Vem de lá a maior parte dos ladrões atrás do dinheiro, segundo donos de desmanches legais. "Aparece muito cara aqui oferecendo carro roubado. Mancha a nossa imagem", disse um deles.


Fonte: DGABC

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