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Falta de condutores qualificados deixa 10% da frota fora da estrada

24/10/2011

O Brasil precisa de cerca de 120 mil motoristas para sua frota de 1,3 milhão de caminhões, aponta pesquisa realizada pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). O levantamento indica que na maior parte das empresas, 10% da frota não podem circular por falta de gente apta a conduzi-la.

O crescente desinteresse pela profissão coincidiu com a modernização dos veículos de carga, cujos recursos tecnológicos, em especial a eletrônica embarcada, aumentaram muito na última década. Isso só agravou o quadro. A mão de obra, além de escassa, tornou-se também pouco qualificada. Poucos profissionais têm ingressado no setor. Entre os veteranos, muitos não estão preparados para trabalhar com veículos modernos.

Mecânico em uma grande fundição, Fábio Albuquerque Franco tinha um emprego estável. Mas não estava feliz. Há quatro meses, trocou a relativa segurança e o horário fixo por uma profissão em que as jornadas podem ser incertas, as viagens constantes e a ausência de casa, prolongada: tornou-se carreteiro da Trevo Transportes, de Piracicaba (SP).

Cair na estrada era sonho antigo do rapaz de 22 anos, alimentado desde a infância pelo pai, também caminhoneiro. O desejo encontrou-se com a oportunidade quando Fábio soube que a Trevo, afetada pela escassez de mão de obra, decidira pagar metade dos R$ 1.250 necessários à habilitação de um novo motorista de caminhão. Inscreveu-se, parcelou sua parte da conta e tirou a carteira.

Contratado, participou de um curso do Sest Senat, em parceria com a Trevo, para qualificar motoristas. Com duração de 160 horas, o curso ensina a operar caminhões com novas tecnologias, realizar manobras, engate e desengate de carreta, direção defensiva e condução econômica. "Eu não gostava muito de ser mecânico. A Trevo me deu a oportunidade de mudar de vida", diz.

A Trevo possui 70 motoristas e um déficit de 10% na mão de obra, revela Ronaldo Domingues, gerente de recursos humanos da empresa. Segundo ele, a situação se repete na maioria das 20 transportadoras da cidade.

A parceria entre a Trevo e o Sest Senat começou em junho. Muitos dos motoristas que possuem carteira de habilitação E - e que portanto estariam legalmente aptos a conduzir veículos pesados - não têm conhecimento para lidar com caminhões modernos. Esses veículos facilitam a vida do condutor, mas exigem mais preparo.

Fábio viaja o Brasil todo. Fica, em média, cinco dias fora de casa em cada viagem. Normalmente deixa Piracicaba carregado de vergalhões e volta com uma carga de sucata. Na tarde em que conversou com o Valor, preparava-se para um frete até Maringá (PR). Com salário de R$ 2 mil, sente-se valorizado. O único problema, diz, é não é conhecer os lugares. "Sou novo na profissão e acabo me perdendo nas cidades onde faço entregas."

Fonte: Valor Econômico

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